Meticulosamente ela vasculha seu quarto atrás da única parte que ainda resta de sua memória. Olhava em cada pedacinho, em cada fresta, em cada canto de gaveta, mas, ela não conseguia encontrar. No lugar da memória ela só conseguia encontrar preocupação com o que ficou pra traz, preocupação com o futuro e em relação ao presente, ela apenas se desesperava.
Depois que ela conseguiu revirar o quarto tantas e tantas vezes, ela cansada de tanto procurar, sentou-se em meio a bagunça e começou a chorar. Sentia um peso enorme nos ombros. Sentia que nada mais fazia sentido, o que queria lembrar já havia ido embora. Agora só lhe restava lembrar o que aconteceu com as suas valorosas memórias.
Será que havia jogado no sanitário? Ou ela havia doado juntos com as roupas que não usava mais? Será que havia vendido juntos com os sapados velhos porem em condições de uso?
Essas memórias lhe faziam falta, era uma falta dolorida, uma falta que lhe faltava o ar. Queria ela um dia voltar a viver todas aquelas historias. Sem pressa, queria ela dar o devido valor a todas as emoções, mesmo sendo elas bobas e sem sentido.
De repente ela olhou pela janela, dela podia se ver uma mangueira carregada de mangas verdes e o chão em volta dela estava repleto de folhas secas. Ao longe no horizonte, o sol brilhava dando adeus a mais um dia. Do lado contrario a arvore ela vê em cima de de um armário onde era guardado todas as coisas usadas nos cuidados do jardim da casa, uma corda vermelha. Ela se levantou e sem pensar muito, ela caminha em direção ao armário. Fica na ponta dos pés e com um pouco de esforço consegue pegar a corda vermelha, junto dela estava um pedaço de taboa que caiu ao chão.
Ela olhou para o pé de mangueira e vai em sua direção. Andou em volta da arvore procurando um galho grosso e forte o suficiente para amarrar a corda. Logo ela pode observar um galho auto com marcas de corda em cada uma de suas extremidades. Com o auxilio de uma escada ela amarrou a corda nas marcas e com a taboa que caiu ao chão quando pegou a corda ela fez um balanço.
Sentou-se e devagar se embalava olhando o por do sol que dando licença para a noite chegar, fez as suas memórias se ascenderem em sua mente. Ela não havia percebido que elas estavam ali o tempo todo, esperando apenas um estimulo para acordarem de um sono profundo. Com os olhos marejados ela contemplava o dia indo embora junto com a dor que dilacerava o seu peito.
Luciana Lima . 2013-08-02
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